segunda-feira, 11 de junho de 2012
Sorte
Volúpia em forma de ondas
não raras com seu vai e vem
de gosto salgado e visão doce
compõem movimentos ainda além.
Sobre a rocha e membro rígidos
No canto, encanto em alma de flor
e corpos entrelaçam nessa dança
de sedução, toque e calor.
Exibe suas curvas, o umbigo,
o tufão da morte que trapaceia
na magia do cabelo molhado
E penso em silêncio comigo:
"Sorte sua, mulher sereia,
não ter c* para ser procurado."
Fernanda de Lima Almada
11 de junho de 2012
09:32h
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
Aridez
A transcrever o humor do dia
só a chuva compõe a melodia
e preguiçosa... a vida umedece
Tece
Aperta o nó da corda do tempo
e não alcança minha garganta
que permanece seca.
Fernanda de Lima Almada
07 de junho de 2012
13:34h
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Sinto em cinco
E com esse calor outonal
sinto verão na proximidade de inverno.
Inferno?!
Estações flutuantes
mal traçando o tempo no curso do trem
Entre sóis, folhas secas, poeira e orvalho
na lógica do inconsciente que não se vê...
Vendaval do qual não se pode fugir...
Leva ao passado e lembra
o engano do encontro desconcertado
que está lá longe e foi ontem
na estrada em looping de [r]evoluções.
Tempo que tivemos e hoje contamos cinco!
Com coração quente que derrete do corpo o gelo
vivendo esse sonho que com você eu sinto
quando brincamos e brindamos as primaveras...
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Fernanda de Lima Almada
04 de junho de 2012
15:42h
{Cinco anos construindo o Amor...}
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sábado, 5 de maio de 2012
LUA
Brilha e desenha curvas... sombras
entre a névoa tácita e pálida
e reflete o sonho na imagem
em viagem...
Miragem.
Segura o olhar e o arrepio...
Pede uivos pra quebrar o silêncio
que corta essa ventania rouca
Louca
ao seu modo
Eu - sem medo -
guardo do encontro a recordação
em vão...
Lua é lembrança que reluz solidão.
Fernanda de Lima Almada
* Perigeu da Lua -> 05 de maio de 2012
22:04h
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
A-COR-DAR
É cedo.
Salta! Levanta! Acorda?
Vê
a corda.
Certifica que seu pescoço
só exibe brilho do adereço
que traduz em mal começo
a escuridão do corpo colosso
a reinvenção da vida ao contrário
e a saudação do eterno retorno
...fútil, estéril, inútil.
Une os pontos
Fecha as portas
Silêncio.
O gosto do desejo hoje é amargo
acre. Desejo por ter que desejar.
Vibra com os contornos acinzentados
que se dissipam em segundos no ar
É preciso acordar...
A-COR-DAR.
A-corda.
E há de ser visto como lamento...
Enquanto vívido... é sofrimento.
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Fernanda de Lima Almada
19 de abril de 2012
21:35h
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.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
De passo em passo
De passo em passo
Peço
Traço
Torço
Parto
Cato
Taco
Foco
Troco
Mas nunca corto,
nem por um triz,
esse mal pela raiz.
¬¬'
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Fernanda de Lima Almada
18 de abril de 2012
19:35h
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terça-feira, 17 de abril de 2012
A caneta aqui
A caneta aqui
preenchendo o vazio da mão...
O papel ali
rejeitando essa nossa solidão...
E o choro brando
...em branco.
Fernanda de Lima Almada
17 de abril de 2012
16:24h
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domingo, 8 de abril de 2012
HUPOKRISIS
E nem mesmo as pedras e o bronze de Talo
ferem a dor e a letargia desse estranho luto
que ecoa e transcende enquanto eu luto
e observo cada derrota máxima que talho
enquanto finjo o sorriso do bem...
enquanto sangro o coração... e além...
Fernanda de Lima Almada
08 de abril de 2012
21:42
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sábado, 10 de março de 2012
Ar A Me Achar...
Há algum tempo venho pensando na sorte
e, certa vez, escrevi em meu livrinho de vida
sobre o desejo de viver e junto sonhar...
Quando, há um ano, você me encontrou
fui capturada, como faz um conto encantado
ao gotejar a dificuldade do que é real
com a sutil e leve suavidade da fantasia...
E entre os sonhos de sorte de vida livre
habito e persisto nessa terra de água mágica
aguardando o sopro fresco do amanhã
a trazer o sabor de ser livre de mim mesma.
Fernanda de Lima Almada
10 de março de 2012
21:32h
{Ao Aniversário da Mamãe}
{Primeiro... só pra descontrair...}
Mamãe reclama desse português difícil de acertar o pronome
e de toda regra gramatical que nossa cabeça consome!
Mamãe fala e conta cada detalhe do que ainda não tem nome...
mas, também, pudera! Mamãe nasceu no "Dia do Telefone"!
{Não resisti depois que soube que 10 de março é "Dia do Telefone"... rs...}
___
Mamãe...
Queria saber dizer o que o coração esconde...
Ele que espera, como a senhora, ser tão forte...
para superar cada dia, sem "quando" ou "onde"
curando as dores e as feridas de toda sorte...
A senhora que traça com as mãos da delicadeza
a sensibilidade que se encontra com a natureza
na incrível arte de criar, cuidar e amar!
Mulher guerreira, que na batalha da vida
resgata a esperança já quase perdida...
e inspira a força, o trabalho e (re)construção...
Não consigo escrever sem encontrar uma lágrima...
porque cada um desses versos contem uma página
do que aprendi com sua vida de dedicação.
Posso parecer, às vezes, fria ou distante
mas não deixo de pensar, nenhum instante,
sobre o quanto nossa existência é sua felicidade...
Foi ontem... e será em qualquer idade!
Parabéns, Mamãe, por mais esse ano e esse dia...
e que todos comemoremos, com muita alegria,
muitos outros ciclos de estações que ainda vão se completar!
E quando olhar o por do sol alaranjado
entre as montanhas e árvores, aí do lado,
não se esqueça de me dizer, em pensamento,
que "é bom pra desenhar" esse momento...
para, desse nosso jeito, tudo e tudo podermos eternizar!
Fernanda de Lima Almada
10 de março de 2012
20:22h
terça-feira, 6 de março de 2012
Amor e Loucura
Essa triste ausência de ti
aumenta minha distância de mim...
que caço com todas as armas
o tiro certeiro na agonia sem fim...
E nessa tarde que ensurdece em calor
sinto seu cheiro em meu banho, o frescor...
Mas quando ouço sua voz, entre o canto do rouxinol...
Ok. Hoje providencio meu haldol.
____
Fernanda de Lima Almada
06 de março de 2012
16:23h
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
[Quero um papel bem grande]
Quero um papel bem grande
pra caber as cores do meu pensamento
com sobra pro que ainda não veio
entre as mil sutilezas e mistérios
de meu universo infinito.
Fernanda de Lima Almada
21 de fevereiro de 2012
22:48h
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Arrebento a porta da estrada
Arrebento a porta da estrada
e essa pontada na aorta.
Procuro, aperto, perco
Não capturo a jornada.
Escondo, conto, peço
Não passa.
Mente sã, não lida
procura solidão.
Triste universo encontrado
sem guia, gasto.
Não há rastro.
Fernanda de Lima Almada
domingo, 29 de janeiro de 2012
{Chuva e vento completam a melodia}
- o Encanto -
de sua respiração que,
como um canto,
ressoa
enquanto dorme
aquecido
em meu coração insone...
Fernanda de Lima Almada
domingo, 2 de outubro de 2011
Mais (h)um-ano

Difere o dia
ainda que igual...
Pede mudança, reflexão,
fim da ferida...
(ah... essa sensação...)
Dança a força da conquista.
Ensurdece a detecção da derrota...
E no presente
o presente
do céu - chuva! -
água pura e vento fresco
banhando a terra e a alma primaveril
nos entres e ventres
do beijo de flor em flor
e do vôo borboleteado
colorindo o vazio em excesso
desses dias e anos s-em fim.
{Parabéns para mim!}
Fernanda de Lima Almada
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Poesia especial que, lá no trabalho, ganhei de presente de aniversário:
"Fernanda
Meninina e bonitinha
Menininha e uma gracinha
Menininha, seu coração é de todos
Como somos e elevamos
Ela tem o coração grande
Se sente sorridente
Porque tem um coração valente
Na nossa vida é destino constante
Como sentimos
Como ar a levar a navegar
e encontrar a luz e a vida na sua vida
Sua sabedoria é vida
que alegre assim
tem conquista no ar
na terra e mar
Assim será
no céu a voar e depois a parar
a encontrar
que todos os dias é sorridente
sempre alegra a gente.
Feliz aniversário, Fernanda
Continue sempre assim."
{Trabalho, Amor, Sensibilidade e Afeto - essas palavras têm me sustentado!}
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Em febre ferve o corpo
que vazio expele o vômito
da angústia imunda -
muda
o olhar perdido, atônito
feito vapor d’água
que do espelho tira o brilho
e embaça a lágrima em vão.
Foge!
Vem... amarga solidão
Protege a vergonha do excesso
Lamúria do verme rasteja-dor
Tens tudo.
Falta-lhe seu próprio Amor.
Fernanda de Lima Almada
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
RenovAção
Primeiros aromas primaveris
Jardins de luzes, flores e cores
Encontros, reencontros, afetos e amores
talhados no movimento e dança dos corpos
traçados com o passo perdido em compasso
Lembrança de abraço
Cadência de ruídos
Alegria de olhares
Suavidade e fúria
Caos e cosmos.
Realidade (im)pura
com força animal,
vôo de liberdade em céu azul
entre brancas nuvens de sonhos e esperança.
Fernanda de Lima Almada
terça-feira, 19 de julho de 2011
Solidão: a frialdade em chamas
A vela do tempo exibe assim seu flamejo
dançando com a força da minha respiração
ofegante e cansada... Lamenta a solidão
que fere, sem cor, a cada frio lampejo
Evapora a lágrima que aqui rola quente, insistente!
Farelos no chão, café morno, música alta... Nada espanta
o pálido perfume do isolamento que sufoca a garganta.
Dor sem nome permanente. “Pulsa em compasso”, penso...
Não passa. É peça dessa triste composição...
Desejo fugir...
não sei se posso... ou não.
Fernanda de Lima Almada
19 de julho de 2011
22:12h
terça-feira, 26 de abril de 2011
Nossa Sede de Rede
Meu desejo é aqui, e assim
em todos os lugares estar
sendo mais uma estrela conjunta
iluminada por este céu em luar.
Não me acanho quando vem a fraqueza
nesse turbilhão em que, com pureza,
peço auxílio, ajuda, socorro!
E haja o que houver, daqui não corro!
Preciso de palavras, corpo e precisão
Devir Amor... transformação...
Motivação sempre além obrigação.
Cor-ação!
Um emaranhado que se trança
pelos fios desta frenética dança
em que a sós... não ataremos os nós.
Fernanda de Lima Almada
25 de abril de 2011
15:34h
terça-feira, 19 de abril de 2011
A Lua... Entre O Ser Quem Se É
Sutil... escondida sempre a observar...
Oh! Lua... explique-me a mim mesma!
Vive triste na constelação em cruz
a guerreira que em ti a força encontrava.
Tornei-me de mim mesma uma escrava!
Vê? Sequer reconheço o próprio corpo
entre ásperas e negras árvores correndo.
Ah... o que pode estar acontecendo?!
Dor... ainda o pesado ar da solidão...
e o calor ácido da lágrima acre...
Por orgulho não escapa nesse massacre!
Oh! Lua... espectadora desta batalha perdida...
Volto a ti procurando uma saída!...
um colo, um sonho, uma terra não erma...
Oh! Lua... explique-me a mim mesma!
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Ouvindo: Somos quem podemos ser [Engenheiros do Hawaii]
Fernanda de Lima Almada
19 de abril de 2011
17:34h
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Carta...
Ainda que movendo moinhos “desletrados”
valendo-me da fábrica do trabalho comum
confesso um eu triste.
Melancolia da solidão...
Abandonaram-me.
Foram embora as palavras e cadências...
o ritmo e a rima...
Nunca vesti a blusa amarela de Maiakovski...
E, sem dizer adeus,
vi partir aquela qualidade de “poeta operário”.
Não mais em mim encontro o atributo...
para a beleza e a suavidade da poesia...
A ausência...
Angústia da carência do verso.
Falta-me o verbo.
Excedem-me as lágrimas.
Não gosto de espadas e dragões...
Prefiro esperar pelo mais logo sentir num abraço
o perfume de suas asas de anjo-poeta.
13 de dezembro de 2010
10:34h
10:34h
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Amor de cachorro
{Imagem do filme "Todos os cães merecem o céu}
Gostava tanto dela que lhe dava amor
não importava a sua idade.
Sua morte me deu tanta dor
e vai me deixar com saudade.
Larissa Abdalla Rossi - 11 anos
terça-feira, 21 de setembro de 2010
17:16h
Conquista - MG
.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
SensuaVidade
"Pouco adiantou
acender cigarros
falar palavrão
perder a razão.
Eu quis ser eu mesmo
Eu quis ser alguém,
mas sou como os outros
que não são ninguém."
[Perdendo Dentes _ Pato Fu]
Viver utopia ativa em devir criança
Inocência, liberdade, bloco de infância.
Não sou atropelada por um triz.
Tropeço na pedra, na calçada, na raiz...
Ponho o dedo no nariz!
E às vezes até falo de boca cheia...
além de beber aquele caldo gostoso no prato!
Mas a solidão não me chateia.
Não vejo o olhar perverso no ato...
E feito criança perdida
não encontro a saída
do que oprime, reprime e sufoca.
Com ou sem verbo, berram e exigem:
"Conter-se! Reter-se!
Moderar-se! Adaptar-se!"
E sem perceber, não quero contrariar...
nem o contrário...
ou o avesso... ou o inverso...
Um universo contr(a)overso
contra a prosa, a poesia, o sonho, a suavidade...
Não... não sei viver essa realidade...
Fernanda
18:52h
Ouvindo um silêncio triste.
.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Dia Internacional do Rock!
\m/
OW, YEAH! \m/
Torpe, contínuo e sem idade,
O primeiro acorde e o arrepio:
Notas de sensibilidade.
Além de Filosofia, Arte, Cultura...
é a fonte, o vício, o marco, a Lei!
Extravagante pra criatura imatura...
O Som que sobrevive sem a comum morada única,
ressoando em toda circunferência do mundo...
Ultrapassa muros e espinhos e oferece, sem súplica
sua verdade em doutrina; um meio profundo.
E quando na solidão a verdade mergulha
é na música que busco aquela fagulha
de esperança, conforto, prazer e amor.
A melhor companhia... com ou sem dor.
Fernanda de Lima Almada
Ouvindo: Love Thing [Joe Satriani]
\m/
quarta-feira, 7 de julho de 2010
"O Mundo" e "Um Carro Voador"
.
Poesias de:
e dele so saio
se for astronauta da nasa.
O mundo
é a nossa vida
e escrevo isso
enquanto dou uma lida.
Poesias de:
Ariel Santos Barcelos - 10 anos
{Minha prima/afilhada linda e poeta e rockeira!}
>>
O Mundo
O mundo
é a minha casae dele so saio
se for astronauta da nasa.
O mundo
é a nossa vida
e escrevo isso
enquanto dou uma lida.
_______________________________________________
>>
(Poesia que ela escreveu para um tema da escola:)
Um carro voador
É um carro bacana
ele está a venda
ele está a venda
na rua das nuvens
tratar com Brenda.
Tem janelas e portas de diamantes
também os bancos brancos
com detalhes
que são todos brilhantes.
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ORGULHO!!! *.*
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Pelas Fissuras da Rocha
O balanço do ônibus sempre me fez sentir aquele enjôo; mas no dia em questão, imerso na solidão acre, rouca, o desconforto foi apenas fundo das figuras dançantes na paisagem dominical que bailavam impetuosas diante de meus olhos.
O ilustre desconhecido não intimidou com seu chapéu encardido, lenço e facão. Parecia não desejar nada além de mais alguns poucos instantes de descanso e não conseguiu dizer com palavras, mas foi a mesma boca que contou... Pela baba que deixou gotejar em meu ombro almofadado.
Já em meu destino, desci e caminhei a lentos passos tranquilos, um curto caminho de tantos ares e eras, naquela estrada fendida pelo sol e ventos de agosto, percebendo nos meus óculos de míope a alegórica poeira de terra avermelhada... O mesmo rubro alaranjado das pinturas de Hélio Siqueira.
À beira do rio, de pé no chão e olhos cerrados, pude ouvir o som tribal, em sua língua que meu devaneio compreendia, a clamar o nome de “água cristalina”. E imerso em uma viagem quimérica, fixei o olhar numa rocha peculiar, viva, em que, superficialmente, arabescos graciosamente se moviam. Intrigou-me. E o frio que me subiu pelas pernas não vinha só da água da cachoeira. Cheguei mais perto.
- Conto séculos desde o último olhar semelhante a este, meu jovem e terno observador.
- Enquanto em rocha milenar, imaginei que seus admiradores seriam numerosos e constantes.
- Ah, meu caro... Torna-se obsoleta a fissura comum entre abundantes e formidáveis vestígios da antiguidade. Sou apenas um amontoado de frestas banais em meio a ossos, garras e dejetos decompostos e eternizados nesse sistema natural. Sendo assim, são poucos os olhares a mim dirigidos, e pela condição de raros, valiosos. Alguns vêem, mas temerosos, como aqueles ao se depararem com os defuntos nas inúmeras e sobrenaturais histórias extraordinárias que percorrem com afinco a cidade e seus arredores, preferem desprender-se daquilo que seu imaginário faz questão de instigar... Mas não sinto em sua matéria resquício algum de tal medo.
- Confesso perplexidade, contente perturbação, porção de loucura, liberdade e ansiedade pela máxima extensão desse momento onírico fantástico. Com suas arguciosas palavras, até onde pode me levar?
- Vejo que é corajoso. Há muito não tenho o prazer de companhia tão honrosa. Mencionei que, ao longo dos milênios, tenho sido pouco observada, no entanto sempre estive atenta às variações, desde o período em que tudo não passava de um gigantesco oceano, tão profundo quanto sua presente emoção humana.
- Penso sobre a efemeridade de um sopro e o imaginável tempo consumido até a efetivação de tamanhas minúcias e alterações naturais...
- Pois eu admiro a eficiência humana em produzir, reproduzir-se, organizar-se, mesmo que às vezes, com lágrimas nos olhos tristes, cansados ou decepcionados. Por aqui, vi e ouvi a composição de cantos tupis, os mesmos que ouviu a pouco, ressoando dentro de si; e muitas estações depois, homens fardados exibirem seus instrumentos a passar, caçar, guerrear e até mesmo a poetizar.
Enquanto ouvia aquela voz sem som, percebi que o sol não era suficiente para aquecer; eu almejava mais saber e somente esse esquentaria aquela estranha frivolidade interna.
- Ora... Enquanto me deslumbro com as paredes vitrais do imenso aglomerado de comércio e lazer, você presenciou as primeiras pedras, taboas e tijolos aqui dispostos!
- Não se considere menos digno, meu jovem. Estou fadada, se intocada, a velar e participar das mudanças até o fim dos tempos. Foi assim quando via aqui passear aquele gigante pescoçudo e continua sendo a sina de hoje, no tempo em que existe a moeda e é atribuído o valor de ouro a esse outro quadrúpede guampudo.
- É uma conversa abstrata demais para minha estrutura mental humana tão comum. Afirmo sem embaraço a dificuldade de imaginar a presença em tantos acontecimentos... Eu mesmo me sinto já abestalhado quando me inundo daquele magnífico mundo teatral erguido aos modos do tão próximo século passado! E ainda mais atônito naqueles breves e saudosos momentos em que encontro a restauração de obras arquitetônicas apenas algumas décadas mais antigas do que aquela!
- Essa sensibilidade típica, creio que não encontraria em outros espaços, em qualquer que fosse o tempo. É só aqui e entre vocês que se pode ver e ouvir a beleza do verdadeiro som da viola e das diversas vozes e cores das folias de reis...
- Quantas riquezas além, quantas possibilidades e potencialidades. E enquanto tudo isso podemos natural e rotineiramente experimentar, muitos de nós, filhos desse chão, lamentavelmente desperdiçamos preciosos segundos de nossas vidas aceleradas nutrindo a discórdia e criando informais e vãos debates...
- Valoriza sua terra e tudo que ela oferece. Vá.
Em recordação, senti nessas suas últimas palavras. Retornei, ainda que contra meu legítimo desejo. Talvez nunca tenha saído, de fato, daquele lugar.
Mas após toda ilusão, realística ou não, só anseio pelo cheiro doce da minha cidade, por essa brisa confortadora, meu pão de queijo com café... e nada mais.
Fernanda de Lima Almada
13 de maio de 2010
__________________________________________________________Conto escrito para o Concurso de Contos Uberaba 190 anos de História e Cultura.
O resultado saiu hoje... e eu tive o desprazer de receber o seguinte e-mail:
"Prezado autor,
Agradecemos profundamente a disponibilidade de Vossa Senhoria em participar do Concurso de Contos Uberaba 190 anos de História e Cultura.
Tenha certeza de que gestos como esse enriquecem nossas ações e são um grande estímulo para que continuemos trabalhando em prol da cultura, em nossa cidade e, por que não, em nosso país!
De acordo com critérios relacionados ao talento literário, com critérios estabelecidos no regulamento e conforme o item 3.2 desse documento, lido e – automaticamente – acatado por Vossa Senhoria, a Comissão Julgadora concluiu não haver, em nenhum dos textos concorrentes, algumas condições essenciais à laureação, reservando-se ao direito de não selecionar nenhum conto para os prêmios previstos.
Atenciosamente.
Comissão Organizadora do Concurso de Contos Uberaba 190 anos de História e Cultura"
..........................................................
Ao ler essas palavras, confesso que as recebi como um desrespeito, um descaso.
Não totalmente por mim, pois tenho consciência de que meu "pseudoconto" não está à altura de tal concurso, mas pelos autores "de verdade" que, sem dúvidas, escreveram boas produções.
Assim, nós, os "prezados autores", como a maioria daqueles imbuídos do espírito da arte,
para ela apenas permanecemos felizes e sorridentes...
enquanto tristes e lacrimejantes frente à hipocrisia que insiste em nos cercar...
E essa é a cidade que deveríamos retratar em nossos contos...
(...)
Se sobre a verdade fosse escrito, seria merecedora do primeiro lugar?!
HÁ!
¬ ¬'
Ouvindo: ThereIn _ Dark Tranquillity
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