domingo, 14 de março de 2010

Em Viagem Além-Literal














Pela janela
tudo corre
e a vida parece parar
Quando o por do sol é,
lá longe,
admirado
e o pensamento volta,
como eu faço agora.

O céu do meu destino está cinza
e quando olho para trás
vejo o mesmo, azul, que insisto em abandonar.

Ouço Baleiro me dizer
"Eu não quero ver você cuspindo ódio..."
Contenho-me
Mas a aparência nada de real traduz.

Encarei a morte do inseto
pela asquerosa língua do sapo,
a efemeridade da borboleta,
o patético mecanismo masculino...

Lamento.

Não pude ensinar... Aprendi.

E, quando em desespero, busco pelo mestre
encontro a decepção, a frustração
e a triste idéia...

Sem calor, sem brilhar, sem saber...
Sem sabor, sem olhar, sem querer...

Tentei sozinha sustentar a relação enferma
mas o câncer se espalha aos passos da mágoa amarga
e juntos, apenas assistiremos a morte tudo levar.


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Fernanda

quarta-feira, 10 de março de 2010

Do encontrar-se ao se encontrar



















Tentou resistir... mas era mais que tentação...
Era necessidade!
As curvas sem sentido desejavam a forma desconhecida...
Forma desconhecida era o que via além do espelho.

Aqui e agora: Liberdade! Vida!
que vão embora com o chamado
e dão lugar ao ser-fantasma
que passa...
vaga...
E aguarda a noite sem saber porque...
E percebe a infinidade de bagatelas...
e sente orgulho...
e sente vergonha...
e se emudece.




Fernanda
08 de abril de 2009


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Ouvindo: My Song Of Creation _ Xystus e US Concert

sexta-feira, 5 de março de 2010

Agradecimentos / Convite de Formatura


Imagem: Beija-flor cósmico  [fonte:http://www.obarcobebado.com/2008_01_01_archive.html]



Mais uma pétala se forma na singela e negra flor.
Cada célula tenta descrever sua trajetória
calçada em desafios, peleja, entusiasmo, Amor...
cravados no percorrer de uma vã memória...

Negra flor de perto e longe procede...
Seus protetores de corações partidos e reconstruídos
muito além de apenas “vida” lhe concede:
Exemplo, dedicação, força imensurável, Amor doído...
(Obrigada, Papai e Mamãe... mais que Obrigada...)


Negra flor que sente saudades...
dos sorrisos e lágrimas felizes e abestalhadas
partilhadas com aqueles, que mesmo distantes
sempre mantiveram suas mãos afagadas.
(Obrigada, irmãos... Dany e Dudu)


Negra flor que foi encontrada...
e salva das garras do mundo de horror
por aquele que mais que se importava:
Sempre presente em companhia, colo e Amor.
(Obrigada, Léo...  meu Amor...)


Negra flor que foi acolhida...
Por quem fica, já se foi ou está de partida...
Por quem sabe que é querida
Por quem esteia e partilha a felicidade e a torcida.
(Obrigada, Familiares)

Negra flor que entre tantos pôde eleger
aqueles a quem chama de “irmãos escolhidos”.
Aqueles cúmplices e unidos não só no aprender
Para quem afeto e cooperação não têm apelidos.
(Obrigada, Amigos)


Negra flor que foi instruída pela verdade.
Afetuosamente ensinado foi o caminho
trilhado pelo respeito, entusiasmo, dignidade...
bem como pela paciência e pelo carinho...
(Obrigada, Professores)


Negra flor que não teria pétala tal,
não fossem aqueles que nela confiaram
e puseram suas vidas de maneira tão formal
nos braços tais aos quais ambos dedicaram.
(Obrigada, Pacientes)


Negra flor que tem como certa a incerteza,
que como amanhã tem uma incógnita a fervilhar.
Mas... esta  pétala negra é uma vitória!
E dela, enfim, podemos nos orgulhar...
(...)

Fernanda
16 de setembro de 2008

Vigília Letárgica

             

  













Imagem: Capa do CD "Watershed", da banda "Opeth"




             Rubra chama que se destaca em meio às memórias... Sutil e intrigante... Simples e complexa... Dança com o vento brando e faz deste seu escravo... doce e desejante...
         No ar... mórbido aroma nostálgico... o qual ressuscita o que há muito estava profundamente enterrado...
               Longas garras pontiagudas... cravadas cada segundo mais fortemente no rijo e pálido peito...
       Agora o rugido... proveniente de uma voz fascinante... e essa melodia melancólica... e ruídos persistentes... fantasmagóricos...
        Cansada... Importunada por tantos detalhes já insuportáveis que envolvem este mundo no qual a aprisionaste!
                E numa madrugada eterna... encontra-se sem forças para escapar desta vigília letárgica...
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Fernanda

12 de agosto de 2006