segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Ampliação

 












A semente rasga a terra
em caos que irrompe a noite
Amorosa
desfigura
enquanto crescer é morte
no reencontro do encanto vital
que respira raios de sol
em prisma de esperança
e urgência
de ser.
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Fernanda Almada
São Paulo, 30 de julho de 2022
12:21h

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Quando o bloqueio é fluidez
do que não se foge nem se nega
e encontra num abraço a entrega
de completar a palavra não dita
e até onde alcança
 estar.
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Fernanda Almada
Uberaba, 01 de agosto de 2022
16:20h



quarta-feira, 22 de junho de 2022

Flor-de-Maio

 












Foi negligência minha quando as águas do verão a alcançaram em excesso e encharcaram suas folhas...
Minha negligência...
que meus olhos descuidados só perceberam quando os verdes se desfizeram em apodrecimento.
Já era outono
e autopunição e culpa
- que aqui costumam seguir o caminho da paralisia, da desistência, do luto antecipado -
desta vez das lágrimas fizeram responsabilidade e enfretamento.
Era preciso menos água e mais terra.
Menos lágrimas e mais concretude, mais objetividade em ações urgentes.
Enquanto as mãos removiam a matéria morta, o coração entoava perdão e cuidado
rogando por não ser já tardio demais...
Foram, então, tempos de terra, água e sol na medida necessária...
Só o carinho que não tinha limites mesmo...
Hoje, já mês de junho e recebendo o inverno, a Flor-de-Maio terminou de abrir suas cores e, como um abraço naquele coração que pediu perdão, respondeu em assentimento e sabedoria que ressoa aqora confiança, consideração, paciência e Amor.
Lá no início do Outono, a morte iminente de uma planta me fez pensar sobre o quanto temos testemunhado todos os dias tragédias e catástrofes coletivas; a maioria evitável se não fosse nossa negligência, enquanto indivíduos e principalmente enquanto sistema falho de (des)organização...
Hoje, enquanto o ventinho frio toca minha pele que é aquecida pelo sol invernal, a mesma plantinha atualiza em ampliação o significado de Esperança aqui dentro...
Esperancemos em Ação...
E floresçamos. 🌷
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Fernanda Almada
22 de junho de 2022
13:24h
Uberaba/MG

quarta-feira, 1 de junho de 2022

...e aCORdaremos

 













...e aCORdaremos
ainda cansados de todas as lutas sinceras
pelo óbvio que a Alma do Mundo encerra
e celebraremos saúde, educação, moradia
e no prato a comida sem veneno em garantia
e a equidade entre gêneros e espécies prevalente
e coxas, bundas e peitos que serão só partes de um corpo vivente
em sintonia
em sincronia
enquanto degusta o sabor
de Viver o que ainda Utopia.
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Fernanda Almada
Uberaba/MG
1 de junho de 2022
20:27h



domingo, 10 de abril de 2022

Depois de "Dos buracos de tantas outras"

 












Meu rosto orvalhava emoção de me ler
quando o Sol se escondeu e fez chuva.
O vento me abraçou na varanda 
(Tive que salvar as páginas das gotas serelepes)

Já quase se pondo; tímido atrás das nuvens,
aquele ofereceu seus últimos raios de dia aos pingos que despencavam.
Esperei pelo arco-íris
que ligeiro se fez real
                           (aqui dentro).

Logo já se encantou a noite
e a luz dos homens não acendeu. 
   (A vida na roça tem desses presentes...)
Era pra ver melhor; eu sei.

Acendi velas
que ainda iluminam meus dedos no lápis
e as palavras que surgem nesse papel
e me aquecem
e me aconchegam
e me amparam de "encontrar reflexos desagradáveis de ser".

Sob luz das velas transmuto
                            _transdigo_
                            _transgrito_
as vozes que pude (me) ver
quando te vi,
                 senti,
                  ouvi
sendo única
e sendo todas nós.

Obrigada, Carol.
🙏🏻❤️
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Fernanda Almada
Uberaba/MG
9 de abril de 2022
19:33h

domingo, 3 de abril de 2022

Ouvi dizer

 














Ouvi dizer
que só fazer poesia é se esconder
é covardia de quem nega o mal, o absurdo
Ilusão unilateral em luzes e cores
é virar as costas para tantas dores.

No colo da Vontade, em tríade,
lá no espaço escuro inferior de lua nova,
deixei meu lamento perguntar:
Por que olhos e ouvidos não vêem nem escutam?
Que corações são estes desconfigurados de sentir?

      E o colo se fez abraço
      Um laço
      Desatou do egoísmo à minha insignificância
      No alívio de aqui saber e sentir
      e basta!

Pois em fazer poesia tem útero e semente
tem sangue, suor, injustiça, fome,
tem excesso excludente
tem dor,
tem tanta dor excedente
que o coração é pequeno e faz transbordar.

      Aqui sei
      e basta!
            Versos mal escritos têm pouco de arte
            e muito de alma daninha
                  ou de ninho a incubar.

Aqui sei
e basta!
Da dor do mundo sou parte e testemunha
enquanto grito em voz muda a desesperança
catando cacos de humanidade escassa.

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Fernanda Almada
Uberaba/MG, 2 de abril de 2022
23:54h

domingo, 27 de março de 2022

Na horta beirando a casinha

 












Na horta beirando a casinha
o verão deixou seu rastro de abundância.
Verdes que minhas mãos não plantaram...
Simplesmente brotaram!
Feitio dos passarinhos, abelhas, brisas...

Hoje o Alecrim, amedrontado, me pediu ajuda.
Suas novas vizinhas, folgadas que só, tomaram seu espaço, roubando e disputando seu alimento e vigor.
Bálsamo e Babosa, lá do outro lado, ouviram a queixa e aproveitaram para me mostrar o quanto também estavam sendo sufocados.

Enquanto convencia as fronteiriças desconhecidas sobre a necessidade de remoção
ouvia o canto do canarinho, que parecia querer me ajudar na tarefa.

Pois então, pus mãos na enxada, nos galhos, no chão...
E quando removi uma pedra no caminho
descobri que era esconderijo, coberta ou ninho,
de uma jovenzinha em espiral, que sequer acordou.

Mas foi meu susto, espanto e medo!
O pé de jabuticaba,
que ainda não se recuperou muito bem da geada do último inverno,
com a sabedoria de quem só é o que veio pra ser,
logo me trouxe a calmaria e o lembrete:
"A natureza é. Vocês são natureza".

O medo transmutou em respeito
no limite do que se pode ser e estar.

E enquanto eu soltava a jararaquinha lá embaixo,
na beira do rio
seu gracejo serperteoso me sorriu
e eu soube, de novo, que a vida é mais que acaso
É perigo
E é Amor
É vaso
Vazio cheio de pequenas grandiosidades.

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Fernanda Almada
27 de março de 2022
Sítio "ALMADA FIGUEIRA", Uberaba/MG
21:46h

{📷. 🐍  A jovem Jararaca-caiçara
(Bothrops moojeni)}

sexta-feira, 25 de março de 2022

Grão de Pólen

 













 Há tristezas em minhas ignorâncias

que de alegrias polinizam cada saber

convidando novas ignorâncias

que em seus colos trazem outras tristezas

       - às vezes desesperos, desesperanças - 

e, então, mais saberes

e novas alegrias!

       e ignorâncias e tristezas e saberes e alegrias...


Nos vazios cheios de infinitos

apanho encantos de devires

Da euforia ao lamento de ser

experimento meus fragmentos

exploro meus figurinos.


A arrogância veste minha mediocridade.

Talvez só esconda a grandiosidade de minha insignificância.


Ainda sou leiga em mistérios do simples manifestado.

Quando souber

serei ingente feito perfume de pétala de flor outonal.


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Fernanda Almada

Uberaba/MG, 25 de março de 2022

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A estrada atravessa a noite

 













A estrada atravessa a noite 

enquanto inquilino alcança o céu

rouba as estrelas 

e brilha dentro. 


O sangue tem pressa de deitar na fantasia 

de morar no aconchego do infinito. 

Se ao menos livre fosse 

não pediria palco nem esconderijo 

enquanto no escuro dirijo 

até lá onde imaginar alcança. 


Cansa 

o entre desaparecer e estar 

o ventre indomável a clamar 

música acesa com gosto de abraço 

transbordando todo espaço 

até o tempo fazer dia. 


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Fernanda Almada 

Uberaba, 24 de fevereiro de 2022

00:10h












domingo, 20 de fevereiro de 2022

Foi quando ousou ser

 












Foi quando ousou ser
e sendo
abriu o coração
e os olhos
e as pernas

Escorreu
Deixou fluir nas palavras
e nos dedos
e na boca
e na pelve

E foi água
que no fogo de gemidos se revelou
e na terra de suspiros ancorou
pelo ritmo orquestrado a penetrar
com a força e substância de ar.

Concretude do olhar
a dizer mais que paixão
e transcender qualquer ilusão
de quando em fantasia
                                      - ou utopia -
nem era.
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Fernanda Almada
Uberaba, 20 de fevereiro de 2022
23:17h.
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*Texto da página de 21 Fev da Mandala Lunar, na imagem:
Uma mulher em harmonia com seu espírito é como um rio fluindo. Ela vai onde vai sem pretensão e chega ao seu destino para ser ela mesma e somente ela mesma" - Maya Angelou
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Mãe Maria

 













Mãe Maria
.
da terra no ventre escuro
nutre e germina
brota e cresce
entre guerra e paz
em redenção floresce
apesar de tudo e tanto
superando este silencioso pranto
de criança aquietada no medo
a plantar seu caminho à rubedo
enquanto sangra seu sagrado espanto.
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Vive a benção
Aceita o possível
Recorda o encanto

Salva a Alma da Fé
quando perde e reencontra quem é
no suspiro do que já existia.
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Hoje é Dia de Mãe Maria...
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Uberaba, 12 de outubro de 2021
23:28h.
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#NossaSenhoraDaAparecida #DiadeMariaS
#DiaDasCrianças
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#Ritualiza

Hoje venceram

 














Hoje venceram.
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Cada volta do ponteiro confirmou
dança sincronizada em articulações:
Improváveis e dispersas
deram mãos às impotências
abraçaram insignificâncias
rodopiaram
ousaram
e espancaram.
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Doeu.
No corpo também.
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Combateram fantasia?
Não não...
Todo espetáculo é no palco
da festividade da ilusão.
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Gargalham na ignorância
sem piedade
do Pierrot invisível
da insanidade.
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No letreiro:
"A saber recolha-se
que qualquer tudo
é nada
qualquer gota
é dada
à ridicularização de ínfimo".
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"Vai,
resolve isso no dízimo".
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Essa pequenez
velha conhecida
confirmou outra vez
convencida
de que qualquer "Amor e Intenção"
não conduz Alma de volta ao lar.
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Amanhã...
Amanhã ela volta a esperançar.
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Hoje venceram.
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Fernanda Almada
Uberaba, 21 de setembro de 2021
01:58h
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#Poesia #EscreverParaViver
#NinguémSeImportaComSuasPoesiasRuins ✌️
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#EspadaDeSaoJorge

VENCE-DEMANDA EM FLOR


 











Capturou da prateleira alta
como música abraçando imagem
E na sombra quente da varanda
ou garagem
superou garras e dentes
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Amparou coração candente
e quando a vida virou o jogo
sobrepujou gelo, vento e fogo
.
Cresceu
na melodia da lua
Benzeu
na pureza da terra
Limpou
na grandeza do átomo
Abençoou
na sutileza da intenção
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E quando expandir raízes era meta
roubou até o empenho do asceta
no encantamento da explosão em flor.
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_Você já se surpreendeu hoje
e enxergou tanto e todo valor?_
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Fernanda Almada
Uberaba, 16 de setembro de 2021
22:38h
*Dia que descobri que a Vence-demanda dá florezinhas deslumbrantemente maravilhosas. 🥰
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#NinguémSeImportaComSuasPoesiasRuins
#Poesia
#VenceDemanda

Acolhimento de Hécate


 










Acho curioso demais quando me dizem coisas como "Você tem uma energia muito boa" ou ainda mais qdo falam "Você tem uma luz legal",
sobretudo nesses últimos tempos tão estranhos.
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Algumas vezes, principalmente neste último ano, respondi ironicamente (ou não) q tudo isso é pra balancear minha natureza melancólica, pessimista e tão constantemente triste e desesperançosa.
Pois é tipo uma compensação mesmo, o que torna tudo ainda mais curioso, considerando que as expressões nos dois sentidos são genuínas.🤷🏻‍♀️
.
Hoje é Dia de Hécate, a Deusa tríplice -a virgem, a mãe e a anciã- olhando para três direções, enxergando o destino, o passado que pudesse interferir no presente e prejudicar o futuro. Hécate, a ”distante”, ”aquela que age como lhe agrada", "aquela que fere à vontade".
🧙🗝️🐶🐍🖤
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Hoje, com a força de Hécate, pude finalmente sentir e acolher q sou e somos nas dicotomias.
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Porque tenho a leveza emanando de poesias em palavras, imagéticas e sonoras que vivo
e também tem a densidade da minha constante construção de consciência crítica compartilhada.
Porque tenho em mim muito Amor, Alegria e Serenidade
e também tenho muito Ódio, Raiva, Tristeza e Revolta.
Por que tenho muita força e habilidades
e também tenho muitas vulnerabilidades e debilidades.
Porque tenho, sim, muita luz
e também muita sombra.
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E hoje, agora, mais do que nunca, entendo - porque sinto me atravessando o corpo - que apenas sem negação e com a (auto)permissão pra viver TAMBÉM a transformadora força do Ódio, da Raiva, da Tristeza, da Revolta, da dor do contato com as sombras e dos pesos de escolher uma vida completa e inteira que posso vislumbrar a possibilidade de experimentar a Serenidade, Alegria e Amor em suas faces mais ampliadas e verdadeiramente integradas - impreterivelmente abarcando todos e Tudo o que existe numa cosmovisão.
.
Sigo com coração alegre - feito parede amarela - por cada verdinho brotando
fora e dentro
e com o mesmo coração transbordando tristeza pelas tão inúmeras mazelas sob o céu.
Sigo lutando com Coragens e Medos.
Sigo sendo agente ativa nessa existência
com Luzes e Sombras.
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E tbm sigo sem saber como terminar textos de maneira digna.

Mas é isso.🤷🏻‍♀️
Fim.
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Fernanda Almada

13 de agosto de 2021